Diário do Brincar

4 nov 2015

Diário do Brincar

Quando chegamos para brincar na comunidade de Pirituba, Cauã foi a primeira criança que nos

recebeu. Ainda num distanciamento de quem percebe quem é forasteiro, permaneceu durante

um tempo observando o que a gente tava fazendo. Olhar atento, de fora e ao mesmo tempo

recíproco com a nossa chegada.

Olho no olho e tudo se aproximava – talvez seja essa parte da

chegada que nos faz reconhecer o outro como semelhante – a criança não deixa perder esse

tipo de conexão. Segurei o giz na mão e com um gesto perguntei se ele queria desenhar, respondeu desenhando que sim e tudo daqui pra frente virou brincadeiras e palavras.

Brincando de desenhar – lua de unha, estrela do pedido, planeta de anel – ele me contou que

gostava de subir em árvores. Fui chamar alguém e quando voltei ele já tava lá, em cima de um

pé de jabuticaba enorme querendo oferecer as coisas boas que tem na casa da gente. Verdes e

pretas saltavam lá de cima e ele gritava: “é pra você”

Caíram na palma da mão e no nosso gosto de infância.

 

Registro da Mona sobre o evento Circuito São Paulo de Cultura